Evento em Ivaiporã reúne cerca de 70 expositores de 17 municípios e destaca trajetórias da agricultura familiar e do artesanato
O pão de fermentação natural que leva dois dias para ficar pronto, o queijo produzido a partir do leite da própria propriedade rural e os amigurumis feitos à mão contam algumas das histórias presentes na 8ª Exposição Riquezas do Vale da Amuvi. O evento começa nesta sexta-feira (12), em Ivaiporã, reunindo cerca de 70 expositores de 17 municípios do Vale do Ivaí.
Mais do que uma vitrine de produtos, a feira se tornou um espaço para que agricultores familiares, artesãos e pequenos empreendedores apresentem suas trajetórias de vida, compartilhem experiências e mostrem ao público o resultado de anos de trabalho e dedicação. Quem visitar a exposição encontrará uma grande variedade de produtos. Há cafés especiais, doces, pães caseiros, queijos, embutidos, mel, geleias, artesanato, além de diversas opções da gastronomia regional. A diversidade mostra a força da agricultura familiar e o potencial econômico dos pequenos negócios espalhados pelos municípios da região. (fotos abaixo)
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Entre os expositores está a família Nogueira, de Bom Sucesso, responsável pela marca Parada Obrigatória. A representante do empreendimento, Josefá Cristina Rimovicz Nogueira, destaca que a empresa nasceu há cerca de cinco anos a partir da produção de leite da propriedade rural. Segundo ela, a ideia surgiu da necessidade de agregar valor à matéria-prima produzida pela família. O primeiro produto fabricado foi o queijo. Com o passar do tempo, a linha foi ampliada e passou a incluir manteiga, doce de leite e iogurtes artesanais.
Josefá afirma que a receptividade do público tem sido positiva desde o início das atividades. Os iogurtes estão entre os produtos mais procurados, principalmente pelas famílias com crianças. “O pessoal tem aceitado muito bem os nossos produtos. Os iogurtes fazem bastante sucesso e isso ajuda muito a nossa família”, relata.
Uma das histórias de superação presentes na feira é a de Lourdes Semchechem Moreira, de Mauá da Serra. Ao lado da irmã, Maria Inês Semchechem, ela comercializa pães artesanais, cuecas viradas e sonhos caseiros. O destaque é o pão de fermentação natural, que exige aproximadamente dois dias de preparo. A trajetória no ramo da alimentação começou há quase 40 anos. Na época, Lourdes trabalhava como professora em Faxinal e enfrentava atrasos salariais. Grávida do primeiro filho, procurava uma alternativa para complementar a renda da família.
“Eu estava grávida de cinco meses e não tinha nem roupinha para o bebê que estava para nascer”, relembra. Inspirada por um pedaço de goiabada recebido de uma tia, ela começou a produzir sonhos para vender. O que surgiu da necessidade acabou se transformando em um negócio familiar que atravessou décadas e hoje mantém vivas receitas tradicionais apreciadas pelos clientes.
De Apucarana, Cristina Benatte Higino participa pela terceira vez da exposição levando amigurumis, bichinhos artesanais produzidos em crochê. Ela trabalha com a técnica há nove anos e conta que aprendeu de forma autodidata após conhecer o artesanato pela internet e por meio de amigas. “Eu comecei porque queria fazer algum tipo de artesanato. Conheci o crochê pela internet e fui aperfeiçoando a técnica”, relata.
Para Cristina, a exposição representa uma oportunidade de divulgar o trabalho e valorizar os talentos espalhados pelos municípios do Vale do Ivaí. “O Riquezas do Vale permite conhecer um pouquinho das riquezas que existem por todo o Vale”, afirma.
Moradora de Ivaiporã, Regina Celi Lisboa encontrou no artesanato uma forma de ocupar o tempo após a aposentadoria da Secretaria de Estado da Agricultura, há dez anos. Na feira, ela apresenta peças variadas, como panos de prato, trabalhos em crochê e itens produzidos com materiais recicláveis. Segundo Regina, a atividade se tornou mais do que uma fonte complementar de renda.
“Depois que a gente aposenta, procura alguma coisa para ocupar o tempo. Eu já gostava de artesanato e consegui colocar em prática o que eu gostava de fazer”, conta. Ela destaca que o trabalho ajuda a manter a rotina ativa e proporciona momentos de convivência e satisfação. “É uma forma de passar o tempo, não ficar tão sozinho e tão aposentado”, brinca.
Histórias como as de Josefá, Lourdes, Cristina e Regina mostram que a Exposição Riquezas do Vale reúne muito mais do que produtos. Cada estande carrega trajetórias de trabalho, superação, empreendedorismo e tradição, ajudando a fortalecer a economia e a identidade cultural do Vale do Ivaí.





























