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Estiagem de janeiro reduz potencial produtivo da soja no Vale do Ivaí

Colheita da soja em lavoura do Vale do Ivaí durante início da safra / Foto: Ivan Maldonado

Produtividade caiu após seca atingir lavouras em janeiro

A colheita da soja começou nos 15 municípios da área do Núcleo Regional da Seab de Ivaiporã, mas ainda avança lentamente e com sinais de queda na produtividade. Até o momento, cerca de 3% da área foi colhida. A estimativa inicial mais otimista do Departamento de Economia Rural (Rural) de 160 sacas de 60 quilos por alqueire, foi revista para baixo, e o órgão passou a estimar 140 sacas de 60 quilos por alqueire.

Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Sérgio Carlos Empinotti, os trabalhos começaram antes do período tradicional. “Normalmente a colheita inicia por volta de 15 de fevereiro, mas neste ano algumas áreas começaram no fim de janeiro e início de fevereiro”, explicou. (fotos abaixo)

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De acordo com ele, a antecipação ocorreu principalmente para viabilizar o plantio do milho safrinha. “Quem conseguiu colher já está entrando com o milho, mas a maior parte das lavouras ainda está em maturação”, afirmou.

Empinotti destaca que a umidade dos grãos ainda impede o avanço mais rápido das máquinas. “Tem bastante lavoura madura, mas os grãos ainda não estão totalmente secos por causa das chuvas recentes”, disse.

O principal fator de preocupação foi a estiagem registrada em janeiro. Segundo o agrônomo, o período seco durou cerca de 15 dias em alguns locais mais de 20 dias e atingiu lavouras em fases sensíveis. “Algumas áreas tiveram abortamento de flores e prejuízo nos ponteiros. As últimas vagens foram as mais afetadas”, relatou.

Reflexos

No campo, os produtores já sentem os reflexos. Em Ariranha do Ivaí, o agricultor Robson Maciel Bovo iniciou a colheita em uma área plantada no dia 26 de setembro. Ele cultiva cerca de 30 alqueires de soja, sendo metade em área própria e metade arrendada. A primeira área apresenta produtividade média de 150 sacas por alqueire.

O resultado ficou abaixo do esperado. “Eu esperava mais. Se as chuvas tivessem vindo de forma normal, dava para chegar perto de 200 sacas por alqueire”, disse o produtor.

Segundo ele, a falta de chuva entre meados de janeiro e o início de fevereiro comprometeu o desenvolvimento das plantas. “Ficamos cerca de 15 dias sem chuva. Em algumas semanas choveu menos de 10 milímetros, quando o ideal seria perto de 40 milímetros por semana”, explicou.

A situação pode ser ainda mais difícil nas áreas que ainda serão colhidas. “Essa primeira lavoura escapou um pouco porque já estava mais adiantada. As outras pegaram a seca bem na fase de floração e granação. A tendência é produzir menos”, avaliou.

Além da queda na produção, o cenário de preços também preocupa. A saca de soja está sendo comercializada entre R$ 111 e R$ 113. “Os preços estão muito ruins. O custo é alto e, se não tiver uma produção boa, quase não cobre as despesas. Em área arrendada, a margem é mínima”, afirmou Bovo.

Com a colheita ainda no início e grande parte das lavouras em fase final de maturação, a expectativa é de que os trabalhos ganhem ritmo nas próximas semanas.

Reportagem e fotos: Ivan Maldonado.

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