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Deral avalia impactos das geadas em lavouras na região de Ivaiporã

Maria Avelaneda Kazial relata prejuízos no cafezal / Foto: Ivan Maldonado

 O Departamento de Economia Rural (Deral), do Núcleo Regional de Ivaiporã da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou uma avaliação preliminar dos impactos das geadas ocorridas na terça (24) e quarta-feira (25). Os 15 municípios da regional foram atingidos pelas baixas temperaturas, que causaram prejuízos em milho, café, hortaliças e pastagens.

Segundo o agrônomo do Deral, Sergio Carlos Empinotti, parte do milho, que ainda se encontrava em fase de enchimento de grãos, a perda estimada é de 10% em peso e qualidade. “Parte da produção já está sendo destinada à silagem para minimizar os danos”, diz Empinotti. O trigo, afetado principalmente em áreas mais baixas, teve perdas inferiores a 2%. A chuva de quinta-feira pode ajudar na recuperação do perfilhamento.

Empinotti relata que o café sofreu danos nos ponteiros, que comprometem a formação das gemas para a próxima safra. “A colheita atual não foi afetada, mas a expectativa é de menor produção em 2026”. Já as hortaliças não resistiram às baixas temperaturas e precisarão ser replantadas, com previsão de nova colheita em cerca de 60 dias.

As pastagens foram as mais atingidas e podem levar até 90 dias para se recuperar. Isso deve reduzir a oferta de leite e pressionar o preço do produto e seus derivados. Produtores já buscam alternativas, como o uso de silagem, mas o impacto econômico ainda é incerto.

O produtor Diego Bertocini, que cultiva hortaliças e cria gado leiteiro em pequena escala na localidade de Severiano, relatou os prejuízos: “Perdi boa parte das alfaces, que são mais sensíveis, e os ponteiros dos tomates, mesmo os que estavam na estufa foram prejudicados. A última colheita do tomate, que geralmente garante nosso lucro, foi comprometida. Este ano, provavelmente só vamos cobrir os custos.” Ele acrescenta que o almeirão também não resistiu: “Parece que cozinhou. As folhas vão murchando a cada dia e não se recuperam, mesmo com chuva.”

Com as pastagens cobertas de gelo e sem condições de uso, Diego já pensa em alternativas para alimentar os animais. “Vamos usar cana e milho até o capim voltar. A recuperação vai demorar.” Ele acredita que os efeitos da geada chegarão ao consumidor: “O produto será menor, de qualidade inferior e custará mais caro. Infelizmente, não tem outro caminho.”

A pequena produtora rural Maria Avelaneda Kazial, que cultiva café e outras culturas com o marido em uma chácara próxima à Vila Rural, também sentiu os efeitos da geada. Embora a colheita atual já esteja finalizada, a preocupação maior é com a próxima safra. “A parte de cima do pé, onde começam a crescer os ponteiros e as florzinhas, foi toda queimada pela geada. Essa parte é muito sensível e estava começando a florar agora”, explicou.

Maria destacou que o café tem ciclo bienal, com anos de safra maior e menor. “Ano passado tivemos uma boa produção, este ano foi menor, mas o próximo seria o ano bom, com bastante café. Se não gear mais, o pé pode rebrotar, mas já sabemos que vamos perder muita coisa. Acho que quebra mais da metade do que esperávamos colher em 2026.”

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Diego Bertocini, prejuízos no cultivo de hortaliças / Foto: Ivan Maldonado

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